terça-feira, 19 de abril de 2011

O Toque do Senhor

John Piper
 
Também Saul se foi para sua casa, a Gibeá; e foi com ele uma tropa de homens cujo coração Deus tocara.

Ler estas palavras tem me levado a orar por um novo toque de Deus. Que coisa maravilhosa é ser tocado por Deus, no coração! Não existe nada incomum a respeito da palavra hebraica usada neste versículo; ela significa apenas “tocar”, no sentido comum. Deus tocou o coração daqueles homens.

         O toque de Deus no coração de alguém é algo impressionante. É impressionante porque o coração é tão precioso para nós — tão profundo, tão íntimo, tão pessoal. Quando o coração é tocado, somos tocados profundamente. Alguém penetrou as camadas protetoras e chegou ao centro. Fomos conhecidos. Fomos descobertos e vistos.

O toque de Deus é impressionante porque Deus é Deus. Pense no que é dito neste versículo! Deus tocou aqueles homens. Não foi a esposa, nem um filho, nem o pai ou a mãe, nem um conselheiro. Foi Deus quem tocou. Aquele que tem infinito poder no universo. Aquele que tem infinita autoridade, sabedoria, amor, bondade, pureza e justiça. Foi Ele quem tocou o coração daqueles homens.

          O toque de Deus é impressionante porque é um toque. É uma conexão verdadeira. O fato de que esse toque envolve o coração é impressionante. O fato de que esse toque envolve a Deus é admirável. E, por ser um toque real é maravilhoso. Os homens valentes não somente ouviram palavras sendo-lhes dirigidas. Não somente receberam uma influência divina. Não foram apenas vistos e conhecidos externamente. Deus, com infinita condescendência, tocou-lhes o coração. Deus estava bem próximo. E os homens não foram consumidos.

         Amo esse toque. Desejo-o mais e mais. Desejo-o para mim mesmo e para todos os membros de nossa igreja. Rogo a Deus que toque em mim e em toda a sua igreja, de maneira nova e profunda, para a sua glória. O texto bíblico diz que eles eram uma tropa de homens — “e foi com ele uma tropa de homens cujo coração Deus tocara”. A palavra hebraica traz consigo a idéia de força, coragem, substância. Oh! que os santos de Deus sejam valentes para o Senhor — corajosos, fortes e cheios de dignidade, beleza e verdade!
Orem comigo para que tenhamos esse toque. Se vier com fogo, que assim seja! Se vier com água, que assim também seja! Se vier com vento, faze-o vir, ó Deus! Se vier com trovões e relâmpagos, prostremo-nos ante esse toque. Ó Senhor, vem! Aproxima-te bastante, para tocar-nos. Envolve-nos com o amianto da tua graça. Penetra o profundo de nosso coração e toca-o. Queima, encharca, sopra, esmaga. Ou, usa uma voz suave e tranqüila. Não importa a maneira, vem. Vem e toca o nosso coração.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

TEOLOGIA E JUSTIFICAÇÃO


A Justificação é um conceito teológico presente no cristianismo que trata da condição do ser humano em relação à justiça de Deus.
A "Justificação pela fé", também conhecida como sola fide, é um dos conceitos basilares do luteranismo e de todas as denominações cristãs que advém da Reforma Protestante. Pode-se dizer que esse conceito religioso foi um dos catalisadores da Reforma. Lutero inspirou-se na afirmação do apóstolo Paulo de que "o justo viverá pela fé" (Romanos 1:17), contrariando assim a afirmação da Igreja Católica, que defendia que à fé se deviam acrescentar as boas obras a fim de se poder alcançar a salvação.
Apesar destas diferenças teológicas, as várias tradições cristãs acham que a fé não é a base para a justificação, mas simplesmente o meio, o órgão de apropriação, ou o instrumento dela. Pela fé somente o pecador toma posse de todas as bênçãos da justificação.

Teologia Católica Romana

             Segundo a doutrina católica, a justificação "é a obra mais excelente do amor de Deus. É a acção misericordiosa e gratuita de Deus, que perdoa os nossos pecados e nos torna justos e santos em todo o nosso ser. Isto tem lugar por meio da graça do Espírito Santo, que nos foi merecida pela paixão de Cristo e nos foi dada no Baptismo. A justificação inicia", mas não obriga, a "resposta livre do homem, ou seja", a adesão individual e livre ao plano de salvação arquitectado por Deus. Para isto, requer a  em Cristo e a colaboração com a graça divina. Os católicos acreditam que «o homem é justificado pelas obras e pela fé» (Tg 2, 24), porque a «fé sem obras é morta» (Tg 2, 17). Logo, as boas obras são uma afirmação, prática e reforço da fé, que é fundamental para a justificação. Todo este processo de justificação só é possível por causa da graça divina, "que justifica" os homens. 

Concílio de Trento

              O Concílio de Trento, que foi a grande expressão da Contra-Reforma, ensinava que a justiça merecida por Cristo deveria ser apoiada pela justiça do próprio pecador que cooperava com a graça através das boas obras. Na visão de Trento, a justificação é um processo, na qual o pecador é tornado justo, misturando a justificação com a santificação. Estes dois termos são virtualmente sinônimos em Trento. Na visão católica, a justiça é infusa (e não imputada), causando mudança na vida interior do pecador. A justiça é antes transformadora do indivíduo do que creditada a ele. Segundo esta perspectiva, o pecador é justificado com base em uma justiça interna (iustitia in nobis ou iusticia infusa) do que por uma justiça que vem de fora. Em resumo, na teologia católica, a justiça é dada ao justo antes que ao pecador, sendo por isso a justificação o resultado da justiça infusa de Cristo.
A partir destes ensinamentos do Concílio de Trento, a Igreja Católica ensina que o pecador é justificado pela fé em Cristo, mas é uma fé informada e fundamentada pelo amor e motivada pela graça divina. A justificação tornar-se-ia na semente e na força criadora de uma nova vida cristã assente na fé, na esperança e na caridade (e também nas boas obras). Essa fé em Cristo é infusa no coração do homem aquando do Batismo, de forma que ela perdoe o pecado original.

Teologia Protestante

           A "iustitia infusa" católica era inadimissível para os Protestantes. Estes acreditam que a graça era derramada, mas que a justificação era uma matéria judicial, que tinha a ver com a imputação da justiça de Cristo a nós. A imputação era o coração e a essência da justificação forense. Não poderia haver o aspecto forense da justificação sem a imputação da justiça de Cristo. Segundo a perspectiva protestante, a doutrina da imputação da justiça de Cristo é co-irmã da doutrina da justificação, sendo estes dois conceitos inseparáveis.
Novamente contra as investidas católicas, os protestantes afirmavam uma justiça que vem de fora deles, uma justitia extra nos, vinda da imputação da justiça de Cristo. A justiça de Cristo, portanto, é ensinada como sendo imputada ao pecador. A justificação do ímpio vem de fora dele, iustitia extra nos, procedendo da justiça de Cristo. A fé não é a base para a justificação, mas simplesmente o meio, o órgão de apropriação, ou o instrumento dela. Pela fé somente o pecador toma posse de todas as bênçãos da justificação.

Teologia Luterana
A doutrina da justificação é de tal importância para a teologia luterana que ela é chamada articulus stantis et cadentis ecclesiae (o artigo sobre o qual a Igreja permanece ou cai), sendo o artigo principal das confissões luteranas, a espinha dorsal da teologia na qual todas as outras doutrinas estão apensas e da qual todas dependem. Fé e obras são termos excludentes entre si. Nada poderia ser acrescentado à justiça de Cristo. Nenhuma adição humana seria tolerada. No pensamento luterano, nunca as duas coisas, fé e obras, andaram juntas soteriologicamente.
Em seu comentário sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas, Lutero diz que somos "justificados não pela fé proporcionada pelo amor, mas pela fé unicamente e somente". Segundo ele, a fé não justifica porque produz o fruto do amor a Cristo (boas obras), mas porque ela recebe o fruto do amor de Cristo. Na teologia luterana, "a justificação é um termo jurídico e significa pronunciar e tratar como justo, justificar". Analisando o texto de Romanos 2.13, a Apologia da Confissão de Augsburgo diz: "Ser justificado aqui não significa que o ímpio é tornando justo, mas que ele é pronunciado justo num sentido forense." Lutero usou a famosa frase simul justus et peccator (ao mesmo tempo justo e pecador), referindo-se à condição simultânea do pecador, onde ele é contado, ao mesmo tempo, como justo judicialmente, em virtude da imputação da justiça de Cristo e, todavia, permanecendo pecador em si e de si mesmo. Por causa do aspecto forense da doutrina, todo pecador é visto como justificado coram Deo.
A teologia luterana diz ainda que a "justiça concedida ao pecador não é sua própria, produzida por ele mesmo, mas uma justiça que vem de fora pertencente a Jesus Cristo. A justiça não é uma qualidade do homem. Ela consiste antes em ser justo somente através da imputação graciosa da justiça de Cristo, isto é, uma justiça ‘fora’ do homem. Para o luteranismo, a fé tem um papel muito diferente, sendo ela preponderante na justificação. "A fé que justifica, contudo, não é um mero conhecimento histórico, mas uma aceitação firme da oferta de Deus de prometer o perdão dos pecados e a justificação. …Fé é aquela adoração que recebe as bênçãos que são oferecidas por Deus."
Dentro da tradição luterana, a fé vem em oposição aos que confiavam na guarda da Lei como base para a justificação. A Apologia da Confissão de Augsburgo diz que:
"a obediência da lei justifica pela justiça da lei. Mas Deus aceita esta justiça imperfeita da lei somente por causa da fé… Disto fica evidente que somos justificados diante de Deus pela fé somente, visto que pela fé somente recebemos o perdão dos pecados e a reconciliação em nome de Cristo… Portanto, ela (justificação) é recebida pela fé somente, embora a guarda da lei siga com o dom do Espírito Santo"
Teologia Calvinista
Para a fé calvinista (ou reformada), a doutrina da justificação é também muito significativa. Durante o tempo da Reforma, Calvino tratou deste assunto em suas Institutas da Religião Cristã, escrevendo sobre ela centenas de páginas. Ele insiste em que a doutrina da justificação é "a principal dobradiça sobre a qual a religião se dependura, de modo que devotemos uma maior atenção e preocupação para com ela".
Calvino seguiu os passos dos reformadores de primeira geração, como Lutero, Melanchton, O ecolampadius, Zwinglio, no aspecto forense da justificação. Reid disse que "semelhantemente aos outros reformadores, Calvino foi um advogado que pensava muito em termos forenses." Calvino diz que "justificado pela fé é aquele que, excluído da justiça das obras, agarra-se à justiça de Cristo através da fé, e vestido com ela, aparece na vista de Deus não como um pecador, mas como um homem justo." A justificação, portanto, segundo Calvino, "acontece quando Deus declara o pecador justo; ele é aceito e perdoado por causa de Cristo somente." Este é o seu conceito forense de justificação.
Calvino enfatizou ainda a iustitia aliena, isto é, a justiça que vem de outro, que vem de fora. Embora Calvino use a frase "pela fé somente", ele é cuidadoso em dizer também que a fé não efetua de si mesma a justificação, mas entende que a fé é o meio pelo qual nos apropriamos da justiça de outro, que é transferida a nós. Ele diz: "Não há nenhuma dúvida de que aquele que é ensinado procurar justiça fora de si próprio é destituído de justiça em si mesmo." Mais adiante, Calvino diz: "Você pode ver que nossa justiça não está em nós, mas em Cristo, e que a possuimos somente sendo participantes em Cristo; de fato, com ele possuimos todas essas riquezas." Para o Calvinismo é pela fé somente que o homem é justificado, mas a fé em si mesma não justifica. Através dela o homem abraça a Cristo por cuja graça somos justificados. "É dito da fé que ela justifica porque ela recebe e abraça a justiça oferecida no Evangelho."
Osiander, contra quem Calvino se insurgiu, havia dito que a "fé é Cristo". Em resposta a ele, Calvino disse que "a fé, que é o único instrumento para receber a justiça, é ignorantemente confundida com Cristo, tornando-o a causa material e ao mesmo tempo o Autor e Ministro deste grande benefício." A fé para Calvino era apenas a causa instrumental da justificação.
Somente Deus justifica. Então, segundo os calvinistas, nós transferimos esta mesma função a Cristo porque a ele foi dado ser nossa justiça. Comparamos a fé a uma espécie de vaso. A menos que venhamos esvaziados e com a boca de nossa alma aberta para procurar a graça de Cristo, não seremos capazes de receber Cristo.

Comparação de tradições
No fundo, as diferentes tradições cristãs respondem, de maneira diferente, a variadas questões sobre a natureza, função e significado da justificação. Estas questões incluem:
  • É a justificação um evento que ocorre instantâneamente ou ela é processo contínuo?
  • A justificação é efetuada somente pela ação divina (monergismo), pela ação divina e humana juntas (sinergismo) ou pela ação humana?
  • A justificação é permanente ou pode ser perdida?
  • Qual é a relação de justificação para a santificação?
  • O processo torna o pecador em justo e ele é capacitado pelo Espírito Santo a viver uma vida agradável a Deus?

TradiçãoProcesso
ou
Evento
Tipo
de
Ação
PermanênciaJustificação
&
Santificação
Católico RomanoProcessoSinergismopode perder por via do pecado mortalParte do mesmo processo
LuteranoProcessoMonergismo divinoPode perder por via da perda de féSeparado dele e anterior à santificação
MetodistaEventoSinergismoPode perderDependente da santificação contínua
OrtodoxoProcessoSinergismoPode perder por via do pecado mortalParte do mesmo processo de theosis
CalvinistaEventoMonergismo divinoNão pode perderAmbos são um resultado da união com Cristo


Mais:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Justifica%C3%A7%C3%A3o_(teologia)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma Volta ao Passado para Reencontrar o Rumo



Por Isaltino Gomes Coelho Filho

Andarei em campo minado. A prisão de Estevam e Sonia Hernandez, apóstolo e bispa da Igreja Renascer, não pode ser varrida para baixo do tapete. Não finjamos que não houve nada. A Renascer pertence à ala neopentecostal do movimento evangélico. Que dista da ala pentecostal. Que dista da ala tradicional.

Alguns citam as palavras de Jesus, “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1), para fechar os olhos aos erros cometidos em nome do evangelho. Mas Paulo reclamou da igreja de Corinto em não julgar um crente que procedia mal: “Não julgais vós os que estão de dentro?” (1Co 5.14). E diz 1João 4.1: “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”. Se os profetas da era apostólica tinham de ser provados, os de hoje também!

O movimento evangélico está desfigurado. Isto se vê nos títulos autooutorgados. Antigamente, os pastores eram apenas pastores. Agora há bispos, apóstolos, paipóstolo e bispa (o feminino de “bispo” é “episcopisa”, aprendi no primário). Daqui a pouco haverá vice-Deus e quarta pessoa da Trindade, numa megalomania que desfoca o evangelho.

Os adeptos do neopentecostalismo podem me esbordoar à vontade, mas o evangelho não é pregação de riqueza, prosperidade, saquear riquezas dos ímpios, dar ordens a Deus, etc. O evangelho é: “Primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3-4). Ser cristão não é cantar mantras ou palavras de ordem, mas firmar um compromisso com Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23). Afirmo que o evangelho é a velha mensagem de João 3.16. Afirmo que em lugar algum da Bíblia se diz que Jesus prometeu deixar todos nós ricos, como diz Hagin, ideólogo da teologia da prosperidade, e guru neopentecostal.

Os chamados tradicionais somos zombados porque nossas igrejas não enchem como as neopentecostais (até mesmo porque pregamos “conversão” e não “adesão”). Quando apontamos os desvios doutrinários e a assimilação de práticas do movimento nova era e das seitas metafísicas de Boston pelos neopentecostais acusam-nos de dor de cotovelo. Mas merecemos respeito.

Trouxemos o evangelho para este país. Tivemos Bíblias queimadas em praças públicas, templos apedrejados, pastores espancados e presos. Abrimos e pavimentamos a estrada por onde muitos hoje andam, à sombra das árvores que plantamos. O nome “evangélico” que construímos em um século foi para o lixo.

Não culpem Satanás. A culpa é da ganância e da falta de bom senso. Ninguém me convence que um pastor precisa ter um haras de cavalos manga larga. Ou, como diz um outro, alegando ser bênção de Deus, uma coleção de carros antigos. Morar numa boa casa é melhor que morar em cortiço ou favela. Mas a ostentação é pecado.

No dia em que anunciava a prisão dos Hernandez, um site alistava seis notícias favoráveis ao movimento gay. Sobre evangélicos, só a da Renascer. E dizia que agora haveria a dificuldade em sair a Marcha Para Jesus, da Renascer, que rivalizava com a marcha gay. A benevolência com que a mídia trata certos grupos não é a mesma com que trata os evangélicos. E alguns destes contribuem para a mídia seguir na toada de desmontar a oposição aos segmentos que a dirigem nos bastidores. Culpa de Satanás? Não, culpa de evangélicos que não entenderam o evangelho. E de outros que fecham os olhos a qualquer juízo. E não gostam que se faça juízo. Mas julgam quem julga.

Há oportunistas entre nós. E gente que não entende nada de nada. Por isso, precisamos voltar às origens. Voltar ao início do cristianismo e da Reforma, recuperando a essência do evangelho. O evangelho é Cristo crucificado. Só existe um Cristo, o que morreu na cruz, foi sepultado e ressuscitado. A mensagem de Jesus não é a de Lair Ribeiro. Cristianismo não é pensamento positivo ou massagem no ego de pecadores impenitentes. É um chamado à conversão e a engajar-se com os valores do evangelho. O resto é deturpação.

"Santos sem santidade, é a tragédia do cristianismo."


A. W. Tozer

sábado, 9 de abril de 2011

Carta do Assassino de Realengo-RJ

Confira na integra a carta que o assassino deixou escrita antes de cometer a barbarie numa escola publica em Realengo-RJ.



terça-feira, 5 de abril de 2011

RESENHA SOBRE O LIVRO "A CABANA"




Recentemente, as vendas do livro A Cabana aproximaram-se de [sete] milhões de cópias. Já se fala em transformar o livro em filme. Mas, enquanto o romance quebra os recordes de vendas, ele também rompe a compreensão tradicional de Deus e da teologia cristã. E é aí que está o tropeço. Será que um trabalho de ficção cristã precisa ser doutrinariamente correto?

Quem é o autor? William P. Young [Paul], um homem que conheço há mais de uma década. Cerca de quatro anos atrás, Paul abraçou o “Universalismo Cristão” e vem defendendo essa visão em várias ocasiões. Embora freqüentemente rejeite o “universalismo geral”, a idéia de que muitos caminhos levam a Deus, ele tem afirmado sua esperança de que todos serão reconciliados com Deus, seja deste lado da morte, ou após a morte. O Universalismo Cristão (também conhecido como a Reconciliação Universal) afirma que o amor é o atributo supremo de Deus, que supera todos os outros. Seu amor vai além da sepultura para salvar todos aqueles que recusaram a Cristo durante o tempo em que viveram. Conforme essa idéia, mesmo os anjos caídos, e o próprio Diabo, um dia se arrependerão, serão libertos do inferno e entrarão no céu. Não pode ser deixado no universo nenhum ser a quem o amor de Deus não venha a conquistar; daí as palavras: reconciliação universal.

Muitos têm apontado erros teológicos que acharam no livro. Eles encontram falhas na visão de Young sobre a revelação e sobre a Bíblia, sua apresentação de Deus, do Espírito Santo, da morte de Jesus e do significado da reconciliação, além da subversão de instituições que Deus ordenou, tais como o governo e a igreja local. Mas a linha comum que amarra todos esses erros é o Universalismo Cristão. Um estudo sobre a história da Reconciliação Universal, que remonta ao século III, mostra que todos esses desvios doutrinários, inclusive a oposição à igreja local, são características do Universalismo. Nos tempos modernos, ele tem enfraquecido a fé evangélica na Europa e na América. Juntou-se ao Unitarianismo para formarem a Igreja Unitariana-Universalista.
  

Ao comparar os credos do Universalismo com uma leitura cuidadosa de A Cabana, descobre-se quão profundamente ele está entranhado nesse livro. Eis aqui algumas evidências resumidas:

1) O credo universalista de 1899 afirmava que “existe um Deus cuja natureza é o amor”. Young diz que Deus “não pode agir independentemente do amor” (p. 102),[1] e que Deus tem sempre o propósito de expressar Seu amor em tudo o que faz (p. 191).

2) Não existe punição eterna para o pecado. O credo de 1899 novamente afirma que Deus “finalmente restaurará toda a família humana à santidade e à alegria”. Semelhantemente, Young nega que “Papai” (nome dado pelo personagem a Deus, o Pai) “derrama ira e lança as pessoas” no inferno. Deus não pune por causa do pecado; é a alegria dEle “curar o pecado” (p. 120). Papai “redime” o julgamento final (p. 127). Deus não “condenará a maioria a uma eternidade de tormento, distante de Sua presença e separada de Seu amor” (p. 162).


3) Há uma representação incompleta da enormidade do pecado e do mal. Satanás, como o grande enganador e instigador da tentação ao pecado, deixa de ser mencionado na discussão de Young sobre a queda (pp. 134-37).


4) Existe uma subjugação da justiça de Deus a seu amor – um princípio central ao Universalismo. O credo de 1878 afirma que o atributo da justiça de Deus “nasce do amor e é limitado pelo amor”. Young afirma que Deus escolheu “o caminho da cruz onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor”, e que esta maneira é melhor do que se Deus tivesse que exercer justiça (pp. 164-65).

Será que um trabalho de ficção cristã precisa ser doutrinariamente correto?

5) Existe um erro grave na maneira como Young retrata a Trindade. Ele afirma que toda a Trindencarnou como o Filho de Deus, e que a Trindade toda foi crucificada (p. 99). Ambos, Jesus e Papai (Deus) levam as marcas da crucificação em suas mãos (contrariamente a Isaías 53.4-10). O erro de Young leva ao modalismo, ou seja, que Deus é único e às vezes assume as diferentes modalidades de Pai, Filho e Espírito Santo, uma heresia condenada pela igreja primitiva. Young também faz de Deus uma deusa; além disso, ele quebra o Segundo Mandamento ao dar a Deus, o Pai, a imagem de uma pessoa.

6) A reconciliação é efetiva para todos sem necessidade de exercerem a fé. Papai afirma que ele está reconciliado com o mundo todo, não apenas com aqueles que crêem (p. 192). Os credos do Universalismo, tanto o de 1878 quanto o de 1899, nunca mencionaram a fé.


7) Não existe um julgamento futuro. Deus nunca imporá Sua vontade sobre as pessoas, mesmo em Sua capacidade de julgar, pois isso seria contrário ao amor (p. 145). Deus se submete aos humanos e os humanos se submetem a Deus em um “círculo de relacionamentos”.

8) Todos são igualmente filhos de Deus e igualmente amados por ele (pp. 155-56). Numa futura revolução de “amor e bondade”, todas as pessoas, por causa do amor, confessarão a Jesus como Senhor (p. 248).

9) A instituição da Igreja é rejeitada como sendo diabólica. Jesus afirma que Ele “nunca criou e nunca criará” instituições (p. 178). As igrejas evangélicas são um obstáculo ao universalismo.

10) Finalmente, a Bíblia não é levada em consideração nesse romance. É um livro sobre culpa e não sobre esperança, encorajamento e revelação.

Logo no início desta resenha, fiz uma pergunta: “Será que um trabalho de ficção precisa ser doutrinariamente correto?” Neste caso a resposta é sim, pois Young é deliberadamente teológico. A ficção serve à teologia, e não vice-versa. Outra pergunta é: “Os pontos positivos do romance não superam os pontos negativos?” Novamente, se alguém usar a impureza doutrinária para ensinar como ser restaurado a Deus, o resultado final é que a pessoa não é restaurada da maneira bíblica ao Deus da Bíblia. Finalmente, pode-se perguntar: “Esse livro não poderia lançar os fundamentos para a busca de um relacionamento crescente com Deus com base na Bíblia?” Certamente, isso é possível. Mas, tendo em vista os erros, o potencial para o descaminho é tão grande quanto o potencial para o crescimento. Young não apresenta nenhuma orientação com relação ao crescimento espiritual. Ele não leva em consideração nem a Bíblia, nem a igreja institucional com suas ordenanças. Se alguém encontrar um relacionamento mais profundo com Deus que reflita a fidelidade bíblica, será a despeito de A Cabana e não por causa dela. (extraído de uma resenha de James B. De Young, Western Theological Seminary - The Berean Call - http://www.chamada.com.br)



Nota:
As páginas citadas são as da edição original em inglês.
Fonte:
http://www.chamada.com.br/mensagens/a_cabana.html


segunda-feira, 4 de abril de 2011

A IGREJA PERFEITA


Um grupo de pessoas se reúne para adorar a Deus, ajudar um ao outro e fazer diferença no lugar onde estão. Isso é uma igreja.


Um grupo de pessoas que não se gostam, nem se esforçam pra se entender se reúnem em um prédio porque acham que precisam fazer isso. Isso não é uma igreja.

Duas pessoas oram juntas para que Deus mova o coração de alguém que está afastado da presença Dele e se oferecem para ajudar. Isso é uma Igreja.

Algumas pessoas decidem que este pecado é pior que os outros e que o pecador não se recuperará e decide tirá-lo da igreja para ‘dar exemplo’. Isso não é igreja.

Dez pessoas resolvem estudar a bíblia uma vez por semana porque precisam aprender mais sobre doutrina e sobre o agir de Deus. Isso é uma igreja.

Dez pessoas vão a uma sala para ler uma revista e discutir sobre assuntos inaplicáveis a vida cristã, que só levam a discussões. Isso não é uma igreja.

Uma pessoa perdoa seu líder pois sabe que ele não é o Cristus(O ungido), então pode falhar. Isso é um igreja.

Uma pessoa guarda rancor de seu líder pois ele deve proceder corretamente onde essa mesma pessoa não procede. Isto não é igreja.

Pessoas decidem orar para tomar uma decisão. Isto é igreja.

Pessoas resolvem fazer sua vontade a qualquer custo. Isto não é igreja.

Lidar com a injustiça social como se fosse parte normal do dia a dia. Isto não é igreja.

Olhar para a injustiça social com o olhar de dor, misericórdia e se mover pra fazer a mudar a situação. Isto é igreja.

Pessoas que acreditam na capacidade de mudança das pessoas, pois elas próprias provaram da diferença que Deus faz. Isso é igreja.

Pessoas que não dão oportunidade para as pessoas mudarem porque não acreditam que as pessoas possam melhorar. Isso não é igreja.

Um grupo de pessoas mais preocupado com pessoas do que com qualquer outra coisa. Isso é igreja.

Um grupo de pessoas mais preocupado com qualquer coisa do que com pessoas. Isso não é igreja.

Alguém que adora a Deus com seu coração, seus pensamentos, sua vida. Isso é igreja.

Alguém que adora o dinheiro, a reputação, as leis, e acha que adoração é sinônimo apenas de música. Isso não é igreja.

Igreja não é o prédio. Igreja não é o estatuto. Igreja não é um sistema de crenças e regras.

Igreja é você, eu, nós juntos. Igreja é uma comunidade de gente que quer amar gente, mesmo sendo tão difícil.

Igreja é um organismo vivo, reunido com apenas dois objetivos: Amar a Deus acima de todas as coisas e, a partir disto, amar ao próximo, como amamos a nós mesmos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A decadência da sociedade brasileira





Por Hernandes Dias Lopes


A sociedade brasileira está doente. Suas entranhas estão infectas. Seu mal é grave e crônico. O perigo de morte é iminente. A decadência da sociedade é moral e espiritual. Alcançamos o progresso científico e econômico, mas nossa cultura está moribunda. Conhecemos os segredos da ciência, mas não conhecemos as profundezas abissais do nosso próprio coração. Amealhamos riquezas e despontamo-nos como a sétima economia do planeta, mas nosso povo chafurda-se num pântano nauseabundo de pecados vís. Temos as maiores reservas naturais do planeta, mas estamos perdendo nosso senso de valores. Agigantamo-nos diante do cenário mundial, mas apequenamo-nos diante do espelho da verdade. Destacaremos, aqui, alguns sintomas que apontam a decadência da nossa sociedade:

Em primeiro lugar, a sociedade brasileira está doente porque abandonou a Deus, a fonte da vida. A apostasia é a porta de entrada do colapso moral. O abandono da verdade desemboca numa vida desregrada. A impiedade deságua na perversão. O homem, querendo destronar Deus, condecorou a si mesmo comoa medida de todas as coisas. Mas tola atitude de colocar o homem no lugar de Deus, não o elevou às alturas, mas fê-lo descer aos abismos mais profundos. Por ter perdido a centralidade de Deus na vida, o homem bestializou-se e se rendeu aos vícios mais degradantes e à violência mais encarniçada. No século do apogeu do humanismo idolátrico, duas sangrentas guerras mundiais barbarizaram o mundo. Noventa milhões de pessoas foram trucidadas nessas duas conflagrações mundiais. O homem sem Deus tornou-se um monstro celerado. Explodiram guerras e revoltas entre as nações. Multiplicaram-se os conflitos étnicos. Recrudesceu a intolerância racial e religiosa. Cresceram os conflitos dentro da família. No vagão dessa locomotiva que desembesta, desgovernada, rumo ao abismo encontram-se aqueles que abandonaram a Deus, o refúgio verdadeiro, a única fonte da vida.

Em segundo lugar, a sociedade está doente porque abandonou a verdade, a fonte da ética. Uma sociedade que se esquece de Deus e abandona a verdade degrada-se irremediavelmente. A teologia é a mãe da ética e a impiedade, a genetriz da perversão. Porque o homem desprezou o conhecimento de Deus mergulhou nas águas turvas do relativismo moral. Porque sacudiu o jugo da verdade, caiu na rede mortal da degradação moral. Nossa sociedade aplaude o vício e escarnece da virtude. Promove a imoralidade e faz troça dos castiços valores morais. Chama trevas de luz e luz de trevas. A televisão brasileira, com desavergonhada desfaçatez, promove toda sorte de atentado moral contra a família. As práticas homossexuais são recomendas e expostas na mídia como indicador debenfazeja liberdade e a defesa da família criticada como uma intolerância medieval. Cumpriu-se o vaticínio: temos vergonha de ser honestos.

Em terceiro lugar, a sociedade está doente porque abandonou o temor de Deus, a fonte da sabedoria. Porque a sociedade abandonou a Deus e sua verdade, perdeu o temor do Senhor, o princípio da sabedoria. Com isso, os homens não apenas marcham céleres no caminho largo da perdição, mas também zombam daqueles que seguem o caminho estreito da salvação. A sociedade sem Deus não apenas caminha resoluta rumo à degradação mais sórdida, mas também gloria-se nas práticas, das quais deveria arrepender-se no pó e na cinza. Nossa cultura está moribunda, nossa sociedade à beira de um colapso. É preciso gritar aos ouvidos da nação brasileira que ainda é tempo de arrependimento, ainda é tempo de voltar-se para o Senhor, pois ele é rico em perdoar e tem prazer na misericórdia.